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Recentemente, a Vegan Society adotou estatutos revistos e ampliados que, entre outras coisas, clarificam o objetivo a que o movimento aspira.
O objeto da Sociedade e o significado da palavra «veganismo», que até agora tinham sido questões de inferência e de preferência pessoal, ficam agora definidos como se segue:
«O objeto da Sociedade será pôr fim à exploração dos animais pelo homem»; e «A palavra veganismo significará a doutrina de que o homem deve viver sem explorar os animais».
A Sociedade compromete-se, «em cumprimento do seu objeto», a «procurar pôr fim ao uso dos animais pelo homem para alimento, mercadorias, trabalho, caça, vivissecção e todos os demais usos que impliquem a exploração da vida animal pelo homem».
A qualidade de membro da Sociedade está aberta a todos os que desejem ver o objeto alcançado e que se comprometam a viver tão próximo do ideal quanto as circunstâncias pessoais o permitam. Um Associado não faz qualquer promessa quanto à sua conduta, mas declara-se de acordo com o objeto. A porta fica assim amplamente aberta, e a Sociedade acolhe todos os que se sintam capazes de a apoiar. A direção e a gestão do trabalho da Sociedade cabem, contudo, aos membros.
O efeito desta evolução é tornar o veganismo único entre os movimentos que se ocupam do bem-estar animal. Pois cristalizou-se como um todo e não, como todos os outros movimentos dessa espécie, como uma abstração. Onde qualquer outro movimento trata de um segmento — e, por isso, ocupa-se diretamente de práticas e não de princípios —, o veganismo é ele próprio um princípio, do qual certas práticas decorrem logicamente.
Se, por exemplo, o princípio vegano for aplicado à alimentação, percebe-se de imediato por que razão ela tem de ser vegetariana no sentido mais estrito e por que não pode conter quaisquer alimentos derivados de animais. Pode tornar-se vegetariano por diversas razões — humanitárias, de saúde ou a mera preferência por tal dieta; aí o princípio é uma questão de sentimento pessoal e varia em conformidade. O veganismo, porém, é um princípio — o de que o homem não tem o direito de explorar as criaturas para os seus próprios fins — e não admite variação. A alimentação vegana provém, portanto, inteiramente de «frutos, frutos secos, legumes, cereais e outros produtos sãos de origem não animal», e exclui «carne, peixe, aves, ovos, mel e leite animal e os seus derivados».
Num mundo vegano, as criaturas seriam reintegradas no equilíbrio e na sanidade da natureza tal como ela é em si mesma. Uma grande e histórica injustiça, cujo efeito sobre o curso da evolução terá sido assombroso, seria reparada. A ideia de que o homem pudesse usar as suas criaturas semelhantes para fins interesseiros seria tão alheia ao pensamento humano que se tornaria quase impensável. Sob esta luz, o veganismo não é tanto bem-estar como libertação — para as criaturas e para a mente e o coração do homem; não é tanto um esforço por tornar suportável a relação atual, mas antes o reconhecimento sem concessões de que, por ser no essencial uma relação de senhor e escravo, tem de ser abolida antes que algo melhor e mais nobre possa ser construído. O veganismo é, na verdade, uma afirmação de que, onde há amor, a exploração se desvanece. Possui continuidade histórica com o movimento que libertou os escravos humanos. Se fosse posto em prática, toda injustiça fundamental infligida aos animais pelo homem desapareceria automaticamente. No seu cerne está o poder curador da compaixão, a mais alta expressão do amor de que o homem é capaz. Pois é um dar sem esperança de receber. E, no entanto, porque se libertaria de muitas das exigências da sua própria natureza inferior, o benefício para o próprio homem seria incalculável.
— Leslie Cross (Vice-Presidente, Vegan Society)
39, Willow Crescent East, Uxbridge, Middlesex
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